Orgulho de ser Brasileira*

Entre todas as minhas andanças na vida, cheguei a uma conclusão que demorei quase 30 anos para entender.

Sim! Eu tenho orgulho de ser Brasileira.

*Orgulho de ser Brasileira: Brasileira pobre, que nunca teve tudo que quis, que sempre viu seus pais batalharem por uma vida melhor, que aprendeu desde cedo que as coisas não são fáceis, mas que ir pelo “caminho mais fácil” não é a solução para as dificuldades da vida.

E veja bem: Orgulho de ser Brasileira não é a mesma coisa que ter orgulho deste país, ser patriota ou algo do tipo… Talvez quem sabe um dia, eu possa ter orgulho disto, mas no momento não. Acho que ainda vou precisar de muitos e muitos anos de evolução para aprender a ter orgulho de uma pátria que rouba, que não tem leis, que é cada um por si e Deus está de férias.

No momento eu tenho orgulho de ser parte desse povo que tem o suor escorrendo na testa e o sorriso estampado no rosto apesar das dificuldades, desse povo que se desloca quilômetros de casa para trabalhar, que no fim de um dia exaustivo se acotovela nos dias de promoção no mercado tentando encontrar os melhores legumes, porque nos dias que eles estão bons e fresquinhos, a diferença de preço é exorbitante.

Um povo que tem uma alegria contagiante e tem os braços abertos para acolher quem precisa, nem que seja com uma palavra amiga, ou um ouvido atento. Um povo que adora festejar, pois as vezes esta é a única maneira de se reunir com aqueles que gostamos para esquecer um pouco daquela rotina que às vezes nos matam um pouco mais a cada dia, mas que não tem muito o que se fazer para mudar.

Nos últimos meses venho pesquisando bastante sobre sair daqui, ir para um lugar melhor… Um lugar onde a vida é justa, ninguém é melhor que ninguém, trabalhamos e temos uma qualidade de vida digna de pessoas batalhadoras e trabalhadoras, mas enquanto isso não acontece, (e nem sei se um dia vai acontecer) eu estou aprendendo a lidar melhor com essa minha descoberta. Talvez por pesquisar muito sobre ir para outro país e ver como as coisas/pessoas são em outro lugar eu tenha aprendido a respeitar um pouco mais o que eu sou. Brasileira de sangue, de pais 100% brasileiros, de avós que viveram os “últimos suspiros” da escravidão… E graças a tudo isso, vou me descobrindo uma pessoa melhor a cada dia que passa, uma pessoa que tenta dar o seu melhor todos os dias, que tem seus momentos de fraqueza, mas que como todo bom Brasileiro, não deixa a bola cair, e acho que isso é um dos primeiros passos para ir em busca de novos horizontes; pois quando chegamos em um lugar novo, chegamos com a nossa nacionalidade estampada na cara. Se já é revoltante ver, de dentro da bolha, tudo de ruim que acontece por aí, imagina pra quem está de fora, que vê apenas as notícias ruins que são noticiadas em sites sensacionalistas. Se nós mesmos já “nos vemos” de uma forma ruim, imagina quem é de fora… Então acho que o importante é você fazer o seu melhor e demonstrar isso para as outras pessoas. Do mesmo jeito que não podemos generalizar que todos os homens são cafajestes e todas as mulheres são interesseiras, não podemos dizer que os Brasileiros são ladrões. Infelizmente a minoria estraga a grande maioria, e você só vai conseguir mudar esse ponto de vista sendo você a melhor pessoa. Sei que às vezes cansa nadar contra a maré, mas você prefere continuar tentando ou deixar ela te levar?

Seja você também um Brasileiro diferente, dê bom dia ao cobrador de ônibus, deseje boa tarde ao atendente de telemarketing que te ligar enchendo o saco, e dê boa noite a faxineira do banheiro da rodoviária afinal, eles também estão na mesma batalha diária que você e dizer isso pode não significar nada para você, mas com certeza vai significar muito para quem ouvir.

Enfim, o ditado: “Seja você a mudança que quer ver no mundo” nunca me fez tanto sentido. Experimente você também, garanto que não vai se arrepender.

 

 

Por: Gaby Vieira.

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Gaby Vieira

Fotografia é minha profissão e minha paixão, para qualquer lugar que eu vá minha câmera sempre vai comigo. Amante do bom e velho rock 'n' roll e uma cerveja gelada na praça da esquina com as amigos e papos aleatórios, também sou viciada em filmes e seriados. E já fui a tia da merenda por quase 2 anos em uma escola. Experiência na qual nunca mais quero passar...