Drácula de Bram Stoker

O conde valáquio mais famoso do mundo já foi retratado diversas vezes no cinema, em livros, nos quadrinhos, em jogos de vídeo game e até mesmo em músicas. Sempre retratado como um ser noturno, conquistador e extremamente cruel, Vlad Tepes ou simplesmente “Conde Drácula”, permeia o imaginário popular. Talvez quem melhor retratou a vida e pós vida do vampiro mais famoso do mundo tenha sido,seu primeiro criador, o escritor irlandês Bran Stoker.

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A obra de Stoker é quase toda ela escrita em forma de relatos em diários e cartas onde os personagens dão sua visão dos acontecimentos, o que torna a narrativa mais pessoal e imersiva, na maioria das vezes você consegue se transportar para as locações da obra literária chegando a sentir a devassidão do sanguessuga, a aflição de Jonathan Harker até mesmo a sensação de impotência do Dr. Van Helsing. 

Do mesmo modo que o livro de 1897 fez um sucesso arrasador, o filme de nome homônimo surpreendeu positivamente os críticos de cinema e até hoje é aclamado entre os fãs do livro que deu origem ao vampiro mais famoso do século XX. Mesmo tendo o mesmo nome que o livro, a versão cinematográfica de Francis Ford Coppola (O Poderoso ChefãoO Poderoso Chefão: Parte IIO Poderoso Chefão IIIApocalypse Now) se difere em muita da obra escrita, de pronto se percebe a mudança na motivação de Drácula que, no livro, é apenas espalhar a maldição do vampirismo e instaurar o caos na Inglaterra, já na versão das telonas o vampiro (excepcionalmente interpretado por Gary Oldman) é movido por amor. Isso mesmo amor, sentimento esse que, o Conde não tem conhecimento a séculos e tampouco alimenta por Mina (Winona Ryder), como é retratado no filme.

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Umas das noivas de Drácula “seduzindo” o jovem Harker.

Quanto ao sofrimento de Jonathan Harker (Keanu Reeves) no castelo de Drácula, a tentação por partes da succubus, a viagem tortuosa de navio, onde todos os marinheiros são mortos pela criatura da noite, tudo se assemelha muito ao livro.

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O conde mostrando interesse em Carfax, distrito de Londres.

As mudanças sutis não alteram muito o sentido de luta do bem contra o mal, mesmo o filme mostrando o Dr. Abraham Van Helsing (Anthony Hopkins) como um alívio cômico, por vezes mostrando o lado exacerbado e quase louco do caçador de monstros, no livro Van Helsing é compenetrado, sério e completamente devotado à luta contra o mal. Ainda assim o filme merece toda a aclamação por conseguir exprimir a ideia central que Bran Stoker tanto quis mostrar ao mundo.

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Hopkins encarnando Van Helsing.

Alguns momentos do filme até chegam a melhorar a obra, como a cena da noivas de Drácula, Lucy sendo tomada pelo vampiro em forma de lobisomem, Van Helsing caçando a sedutora Lucy e até mesmo a cena extremamente sensual onde Mina, pede que o Conde lhe conceda a imortalidade. Outra coisa que chamou muito atenção foi o excesso de cores no filme, tanto na cenas de onde o vampiro espiona suas vítimas e seu olhos são projetados no céu, como nas cenas de maior tensão. O longa ainda arrematou três Oscars de melhor figurino, melhores efeitos sonoros e melhor maquiagem.

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As cores berravam em momentos de grande aflição.

Bran Stoker escreveu vários livros depois de Drácula, mas ficou marcado para sempre como o criador de um dos maiores ícones pops de todos os tempos, do mesmo modo Francis Ford Coppola dirigiu diversos outros filmes, mas vai ficar marcado pela obra de arte que fez em Drácula de Bran Stoker.

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Andre Sousa

André Sousa, Cearense, 31 anos, pseudo intelectual de rede social, inteligentemente gaiato e consumidor moderado de drogas lícitas.