Devaneios da mente

A gente sempre idealiza. Não tem jeito. Eu sei que não devia. Sei que idealizar é o caminho mais rápido para a frustração, mas mesmo assim, quando esqueço de me policiar por 2 segundos já me perco nas minhas próprias fantasias. E então eu sonho o sonho mais bonito. Um sonho que não tem a menor chance de algum dia se concretizar, porque sejamos sinceros, estamos falando da minha vida, e você sabe que as chances nunca estão a meu favor.

E eu idealizei você. Inteirinho. De cabo à rabo. Imaginava as suas falas, as suas ações, os seus desejos, os seus quereres. Me jogava na cama e fantasiava cenas inteiras entre nós que nunca nem chegaram perto de acontecer. Gargalhava alto com alguma piada sua que eu mesma havia inventado. Ou chorava com grosserias que você nunca havia cometido. Você era o personagem mais importante de uma história de amor que na vida só ameaçou, mas na minha fantasia, aconteceu.

Na minha imaginação, o nosso romance foi lindo. Foi forte. Foi verdadeiro. Na vida, você desistiu antes mesmo de tentar. Você quis e não quis mais rápido do que eu poderia prever. Mais rápido do que eu poderia consertar.

Eu tentei transformar em realidade o sonho mais bonito de todos. Um sonho que deveria ser nosso. Um sonho que me queimava por inteiro, enquanto você era à prova de fogo. E eu seguia todos os conselhos dos amigos, todas as dicas das revistas, tudo o que a televisão chamava de infalível, tudo o que era comprovado cientificamente pelos livros. E nada, absolutamente nada, te amolecia, te provava, te convencia à ficar. Nada mudava o enorme “não” que gritava de você sem que você precisasse abrir a boca. Nada mudava a rejeição que eu sentia cada vez que você me olhava. E então todos os meus esforços não valiam mais nada.

Eu quis tanto que você me amasse e tentei, de todas as formas, te mostrar que eu era boa pra você. Por mais que eu soubesse, que os seus amigos soubessem, que os seus pais soubessem, que o seu vizinho que espiava pela janela, soubesse, você nunca soube. Eu preparava os melhores beijos, as melhores palavras, os melhores abraços, as melhores caras. Eu preparava o melhor de mim pra você, e era sempre pouco, quase nada. Você nunca sorriu quando me viu. Você nunca tremeu quando eu te beijei. Você nunca se emocionou com nada que levava o meu nome.

E eu me culpei e ainda me culpo por não ter sido o suficiente. Por não ter sido o seu tipo. Ou por ter sido e errado, de alguma maneira tão grande e irremediável que o fez se desligar completamente de mim, sem chances de perdão, reconciliação, volta, beijo, declaração e nunca-mais-me-abandona-meu-amor. O nosso fim chegou antes de um começo. E você me pergunta o que eu queria exatamente de você. E eu não sei te responder com a exatidão matemática que você espera. Eu queria tudo. Eu não queria nada. Eu queria um começo. Qualquer começo teria sido bom para quem nunca teve nenhum.

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Gaby Vieira

Fotografia é minha profissão e minha paixão, para qualquer lugar que eu vá minha câmera sempre vai comigo. Amante do bom e velho rock 'n' roll e uma cerveja gelada na praça da esquina com as amigos e papos aleatórios, também sou viciada em filmes e seriados. E já fui a tia da merenda por quase 2 anos em uma escola. Experiência na qual nunca mais quero passar...