Aborto: Legalizar ou não?

Ultimamente minha timeline do facebook está lotada de fotos das minhas amigas na época em que estavam grávidas e fiquei bastante intrigada com isso. Foi quando decidi ir atrás para saber o que diacho estava acontecendo e descobri que se trata de uma nova corrente/desafio (sim, desafio igual aquele do balde de gelo) onde cada menina desafia três amigas suas (ou mais) a postarem fotos de sua gravidez com a intenção de fazer uma grande ação contra a legalização do aborto. Isso mesmo, ABORTO.

Foi vendo uma dessas postagens que decidi parar para pensar um pouco sobre esse assunto que é tão assustador pra uns e comum pra outros e escrever para vocês a minha opinião.

Sim, eu sou a favor da legalização do aborto!

A maioria de vocês devem estar me xingando e me criticando agora, mas quero explicar o que me fez pensar dessa forma.


Comecei a pensar nisso quando li um post de uma moça que foi desafiada nessa ação contra o aborto no facebook. Ela colocou uma foto grávida como foi desafiado mas, ao contrário do que todas declaram em suas postagens, ela escreveu um texto dizendo como foi sua experiência. Lá ela relata que engravidou aos 14 anos, por um descuido, morava num bairro onde não podia sair de casa pois era ameaçada de surra pelos moradores do bairro (eles chegavam a correr atrás dela, quando saia sozinha, xingando-a de todos os nomes possíveis e batendo-na) e apanhava do pai (mesmo durante a gravidez). Ela queria abortar mas a mãe dela e o pai do bebê a fizeram levar a gravidez até o fim.

Quando a criança nasceu os pais dela colocaram-na para fora de casa, com isso ela foi morar com o pai do filho dela que começou a espancá-la todos os dias. Ela pediu ajuda para os pais e nada… Pediu ajuda a todas as pessoas que a incentivaram a levar a gravidez até o final e todos fecharam as portas na cara dela. Ela pedia restos de alimentos nas feiras para poder se alimentar e dar o que comer para o filho. Tudo isso porque não deixaram ela escolher o que seria da vida dela quando ainda estava grávida.

Após alguns anos o pai da criança abandonou ela e o menino, e até hoje ela paga o preço por ter começado a descobrir o seu corpo ainda na adolescência.


Uns dias depois, por coincidência ou não, vi uma matéria que falava de uma francesa que morava aqui e teve que ir embora pra França para fazer um aborto seguro.

No caso dela, ela engravidou em uma das idas à França. Porém, não tinha casa própria, emprego fixo, sem estar preparada para assumir a responsabilidade de educar uma criança e nada que seria necessário para se ter uma criança e criá-la com boas condições. Ela teve que esconder a gravidez de todas as pessoas que conhecia aqui no Brasil com medo da recriminação de todos quanto ao aborto e ainda teve que abandonar o “emprego” e a vida aqui no Brasil para voltar pra França e poder fazer o aborto com os auxílios médicos necessários.

Segundo ela, na França todas as mulheres tem a liberdade de escolha na vida e podem decidir abortar ou não, sem ser descriminadas e julgadas por ninguém.


 

E é justamente por causa desses dois casos (e outros que conheço) que acho que a mulher tem que ter o direito de escolher o que fazer da vida. Penso que, em alguns casos, é melhor fazer um aborto do que criar uma criança que vá ficar jogada ao léu na rua, ou que dê a luz à uma criança que cresça no mundo do crime, etc.

Gostaria muito de saber a opinião de vocês sobre o assunto. Sem brigas e julgamentos. Apenas as opiniões para, de repente, podermos entender o ponto de vista um do outro.

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Comentários

Larissa Abreu

Paulistana, garota gamer, vulgo TheSweet_Lari, inteligente e manjadora dos paranauês da internet.

  • Pingback: A Hora da Merenda #1 – Feminismo()

  • Erika Daloso

    Realmente um assunto polêmico e nessa questão não consigo levantar a bandeira e dizer: ‘Sim, sou a favor’. A questão de o aborto ser liberado implica em diversas questões. Sou a favor se o motivo for um estupro, ai mais que óbvio não prosseguir, pois muitas vezes olhar para a criança implicaria na lembrança do ato violento.

    Mas na questão de ser uma criança com 14 ou sei lá quantos anos, não concordo. (Sim sou daquelas que acha que criança não deve fazer sexo e ponto final) Sei que isso é uma realidade hoje em dia, mas se fez, assuma.
    Ah.. mas ela não tem maturidade… mas pra fazer sexo tem?
    Ah… mas ela não vai cuidar bem… por acaso fez sozinha? O pai cuida.
    Ah… mas o pai sumiu. Existem MILHARES, isso mesmo, MILHARES de casais que adorariam ter um bebê e não conseguem e muitos querem recém nascidos. Conheço pessoas que pegaram a criança na maternidade e cuidam bem até hoje.
    Existem tantos meios pra evitar, se você já transa, tome remédios, se não tem dinheiro, use preservativo, se estourou (conheço essa história), vá em frente, enfrente as consequências.
    Prefiro sim, que a mulher tenha filhos e dê (falei dar,não jogar), do que mata-los antes de nascer. E pra quem diz que na barriga o feto é apenas um feto, sem sentimentos, deveria ter sido abortado!
    A mulher tem todo direito de fazer o que quiser com o corpo dela, desde que não se mexa no corpo do outro, este outro é o bebê.
    E quanto ao futuro, quem pode garantir que mesmo criando bem, no futuro a criança não entrará para o mundo do crime? Não podemos assegurar nada na vida do outro. As escolhas, muitas vezes invariam do modo de criação.
    Bom… como opinião é como C* e cada um tem a sua, está é a minha.
    Adorei seu post irmãzinha!!
    #Orgulhosa #MasNãoConcordo

    • Larissa Abreu

      Olá minha linda Erika 🙂

      Obrigada por deixar aqui a sua opinião…

      Não acho errado o seu ponto de vista e, apesar de eu ser a favor da legalização do aborto, eu não faria se fosse comigo rs Quando estava escrevendo o post pensei muito nisso e, como você disse ai em cima, acho que se eu não tivesse condição de dar uma “vida” pra um bebê eu procuraria um casal que quisesse ficar com ele (isso já no começo da gravidez, para o casal poder acompanhar tudo como se fosse deles mesmo).

      Volte sempre aqui viu XD

      Beijão!!!!!

  • Diogo Sales

    Creio que a maior controvérsia nessa discussão está na maioria das pessoas não ver a diferença entre o aborto ser legalizado como prática médica e ser aceito como um simples método contraceptivo. Legalizar o aborto é uma questão de saúde e proteção das mulheres. No Brasil milhares de mulheres praticam o aborto de forma ilegal e estão morrendo por conta das condições insalubres em que são realizados. E ao invés dessas mulheres serem protegidas são tratadas como criminosas. Isso é uma temeridade!

    E quanto a prática em si, é inegável que a mulher tem o direito de ser dona do próprio corpo e das próprias escolhas. Tenho certeza que se os homens engravidassem, o aborto já seria legal a muito tempo. Torço pra que esse cenário mude logo. Um grande beijo e parabéns pelo texto e mais ainda pela postura!

    • Larissa Abreu

      Olá querido Diogo,

      Obrigada pelo comentário e me desculpe pela demora em respondê-lo rs.

      Pois é.. Cada mulher sabe (ou deveria saber) o que é melhor para sua vida em cada momento da mesma… E, conforme disse ai no post, acho inaceitável um país permitir que muitas mulheres morram ou peguem doenças, algumas vezes, graves simplesmente porque fizeram o aborto de qualquer forma e não podem contar com o auxílio médico necessário para o bem de sua saúde.

      Espero vê-lo por aqui mais vezes!

      Grande beijo!!